O sucesso do fitness na água

 

Satisfazer o desejo dos alunos por novidades é o maior desafio das academias de fitness no começo do verão. Essa necessidade inaugurou um curioso filão – levar para dentro da água as atividades praticadas em solo. Num primeiro momento, os especialistas ajustaram às piscinas as aulas de bicicleta, step (subir e descer degraus), body jump (minicama elástica), ioga e corrida. Deu certo e, agora, mais modalidades estão ganhando versões aquáticas. Na Bahia, é cada vez mais popular a hidrocapoeira. “Selecionamos os movimentos mais amplos da capoeira para adaptá-la à água. As pessoas adoram”, diz o professor de educação física João Magalhães, da Academia Foca’s, de Salvador. O Pilates também ganhou a sua variação molhada. Andréa Melo, de Juiz de Fora (MG), estudou oito anos para transpor os exercícios com mola e plataforma característicos da atividade para a piscina. “Há mais diferenças: a temperatura da água, por exemplo, tem que ser mais aquecida para facilitar o trabalho muscular”, diz Andréa, autora do livro “Método Pilates na Água”.

 

Até o kick boxing, definido como luta marcial e também esporte de combate, foi adequado à piscina. “Dá para fazer o trabalho de força e o aeróbico, mas sem suar”, diz a advogada Maria Lúcia Camacho, 54 anos, praticante da atividade na Runner, em São Paulo. Para a sua colega de aula, a socióloga Yara Pinto, 60 anos, mais do que um exercício físico, praticar atividades aquáticas é uma espécie de terapia. “Faço por prazer", diz.

O poder relaxante da água também é explorado pelas academias. Um exemplo é o acqua zen, oferecido pela Fórmula, em São Paulo. Em sessões de dez minutos, o aluno fica suspenso sobre boias, enquanto faz movimentos e recebe massagens. “Essa pausa serve para descansar os músculos e a cabeça depois da natação”, diz a publicitária Sylvia Hartmann, 30 anos.

 

Não faltam explicações científicas para o sucesso das modalidades na água. Uma delas é o fato de a piscina ser um ambiente refrescante, pois a transferência de calor do corpo humano é 25 vezes maior na água do que em solo. O bem-estar é ainda maior porque nos sentimos mais leves quando submersos. “Com água à altura dos ombros, temos uma perda aparente de 90% de nossa massa corporal”, afirma Giovana Mazo, do Centro de Saúde do Esporte da Universidade Estadual de Santa Catarina. O resultado dessa mudança é a redução do impacto sobre as articulações, razão pela qual os movimentos sincopados dentro da piscina ganharam a preferência dos idosos, e mais recentemente, dos obesos.



Mais uma vantagem é a pressão exercida pela água. “Ela promove uma melhora significativa na circulação sanguínea”, garante Jomar Souza, da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte. Coração e pulmão, por exemplo, ficam mais irrigados – só neste último órgão, o volume de sangue pode dobrar e a saída de oxigênio para a corrente sanguínea é facilitada. Mais oxigênio no sangue permite fazer o exercício com a mesma intensidade e menos sofrimento. Novas pesquisas também estão mostrando que, ao contrário do que se pensava, a hidroginástica pode servir para emagrecer. Segundo o pesquisador Luiz Fernando Kruel, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, para que isso ocorra é necessário aumentar a amplitude e o ritmo dos movimentos. Sua conclusão está baseada em um estudo feito com 23 mulheres durante a prática de atividades aquáticas. “Se a pessoa fica parada e faz movimentos curtos, o gasto é maior em solo”, analisa. “Mas se faz exercício com grandes áreas projetadas, ou seja, abre e fecha braços, estica as pernas, queima mais calorias dentro da água”, ensina Kruel. Hora de preparar sua touquinha.

fonte:http://www.expressomt.com.br

publicado por adm às 18:13 | comentar | favorito